Conde d'Aurora

 
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Conde d'Aurora




Rosário Sá Coutinho



O Conde d’Aurora (José de Sá Coutinho) ficou órfão de pai aos seis meses e de mãe aos 13 anos, tendo sido criado pelo seu tio materno e padrinho, o Conde de Bertiandos. Cresceu no campo até ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Casou com D. Maria da Graça de Abreu Castelo Branco, de quem teve sete filhas e dois filhos. Em pleno período revolucionário de inícios do século, fez uma tentativa de implantar a monarquia em Ponte de Lima, chegando a hastear a bandeira azul e branca nos Paços do Concelho. Viveu na Argentina regressando ao Minho em 1923. Em 1935 recebeu o prémio Eça de Queiroz pelo seu romance O Pinto, e no ano seguinte, foi nomeado primeiro juiz do Tribunal do Trabalho no Porto, cargo que ocupou durante mais de 30 anos. Deixou uma obra considerável, literária e etnográfica, bem como um vasto arquivo fotográfico das ruas do Porto e dos costumes da Ribeira Lima. Morreu em Maio de 1969.

  

 Bibliografia


1 - D. Aleixo

1921, Porto. Companhia Portuguesa Editora.

Romance inspirado na vida do Conde de Santa Eulália, fidalgo limiano que veio a construir o Paço da Glória e cuja história passa pelos estudos em Coimbra, a ida para Paris onde se torna escultor, depois para Inglaterra e por fim Argentina, sempre em busca de fama e fortuna.

 


2 - Roteiro da Ribeira Lima

1929, Edição de autor.

Percurso pelas duas margens do rio Lima, passando por Viana do Castelo, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, onde o autor descreve as paisagens, os solares, os monumentos, os miradouros, as vilas e cidades da Ribeira Lima. Inclui um mapa de Ponte de Lima e desenhos de José Luís Brandão de Carvalho.


3 - O Pinto: infância, paixões e morte de um cacique eleitoral

1935, Livraria Tavares Martins, Porto

Romance que relata a vida de Francisco Pinto, fidalgo rural minhoto, inculto, trapaceiro e ardiloso, que atravessa vários regimes políticos incólume, graças ao seu papel de cacique eleitoral. Promessas, favores, e a busca de vantagem para si próprio colocam o Pinto sempre do lado dos vencedores.


4 - A Vida do Linho

1935, Litografia Nacional, Porto

Obra que descreve toda a vida do linho, desde a planta até ao pano, passando pelos diferentes trabalhos rurais associados ao processo de produção – semear, mondar, colher, lavar, ripar, espadelar, fiar tecer. O autor não esquece os cálculos de rendimento para o linhar, bem como as tadições e quadras populares associadas ao linho.


5 - Livro de Contos - 1942

Contos exemplarmente redigidos e estruturados, explorando ambientes tanto urbanos como rurais, num misto de deriva cosmopolita e de fidelidade aos valores genuínos do Portugal profundo, que o distinto magistrado e escritor muito bem conhecia. De leitura muito agradável.

 


6 - Eça de Queirós e a Nobreza

1946 - Portugália Editora, Porto

Conferência proferida pelo autor e depois publicada juntamente com ilustrações e fotografias. Nela o autor explica o conceito de “Nobreza” que, no seu entender, partilha com Eça de Queirós, um conceito assente na honradez, no sentido de justiça, na seriedade e solidarierade ao próximo, e não baseado apenas no estatuto social.


7 - Monografia do Concelho de Ponte de Lima

1946, Litografia Nacional, Porto.

À semelhança do que fizera com o Roteiro da Ribeira Lima quase 20 anos antes, o autor percorre o concelho descrevendo lugares, paisagens, património e personagens, no tom de quem se confessa um apaixonado pela sua terra. Obra com desenhos de José Luís Brandão de Carvalho, fotografias de Alberto Carlos Correia da Silva, e dois mapas desdobráveis.


8 - Mal Notadas Letras

1952, Liv. Simões Lopes, Porto

A escrita lírica, nostálgica, romântica do Conde deAurora leva-nos ao encontro de diferentes autores e poetas portugueses com ligações ao vale do Lima. O rio Lima, aliás, que o autor apelida de “rio dos poetas”.


9 - Brasil Ida e Volta

1955, Liv. Simões Lopes, Porto

Obra escrita no seguimento da viagem do autor ao Brasil, a fim de participar no Congresso Internacional de Escritores realizado em São Paulo, com passagens pelas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Ouro Preto onde o autor descreve, não apenas as paisagens e monumentos, como as personalidades que encontra.


10 - O Douro Litoral, Antologia Da Terra Portuguesa

1956, Livraria Bertrand – Lisboa

Quarto volume da coleção Antologia da Terra Portuguesa, dedicado ao Douro Litoral, da responsabilidade do Conde D’Aurora. Tem por base escritos dos mais notáveis escritores que, desde a Idade Média, se debruçam sobre a história, literatura, poesia e etnografia desta importante região. Excelente o prefácio do autor. Muito bem ilustrado.


11 - Itinerário Romântico do Porto - 1962

Descrição de toda uma riqueza passada de casas, palácios, ruas, jardins, capelas, igrejas, cafés, casas de chá e outros aspectos do Porto, sendo extraordinário o detalhe e minúcia da descrição das casas dos séculos passados, nomeadamente dos séculos XVI, XVII e XVIII, algumas em ruínas outras até já desaparecidas, mas com a explicação detalhada do que haviam sido e do que eram naquela época, a quem haviam pertencido e de quem eram então. São igualmente descritos fontanários antigos e modernos, armas e brasões, varandas e escadarias e, a propósito, as tertúlias do passado e as daquela altura, os clubes e as livrarias, havendo ainda uma extensa enumeração de nomes célebres da história local.


12 - Caminho Português para Santiago de Compostela - 1965

Descrição dos caminhos que ligam o Porto a Santiago de Compostela pela costa atlântica, passando por Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo e Valença do Minho, bem como a rota de Braga a Ponte de Lima. Pelo caminho vai descrevendo paisagens, lugares, igrejas, garranos...

 


13 - Do Sentido da Moderna Literatura

Conferência literária proferida em Bragança, em 1930, acerca do sentido da moderna literatura.


14 - A Feira de Ponte - 2005

Conjunto histórico de fotografias da feira de Ponte de Lima, tiradas pelo autor ao longo dos anos, reunidas em livro editado pelo Município de Ponte de Lima em 2005 e reeditado em 2012, com o título A Feira de Ponte. Ao conjunto de fotografias foi adicionado o belíssimo texto do Conde d’Aurora com o mesmo título, que havia sido publicado em 1959 em apêndice à terceira edição do Roteiro da Ribeira Lima.


15 - Esparsos, Raros e Inéditos do Conde de Aurora

2007, ADRIL, Ponte de Lima

Obra que reúne um conjunto alargado de textos dispersos por diversas publicações periódicas locais, regionais e nacionais, bem como textos e inéditos, versando temas como a defesa do ambiente, a preservação do património ou as tradições locais, entre outros abordados pelo autor.

  


Ponte de Lima no Mapa

Ponte de Lima é uma vila histórica do Norte de Portugal, mais antiga que a própria nacionalidade portuguesa. Foi fundada por Carta de Foral de 4 de Março de 1125, outorgada pela Rainha D. Teresa, que fez Vila o então Lugar de Ponte, localizado na margem esquerda do Rio Lima, junto à ponte construída pelos Romanos no século I, no tempo do Imperador Augusto. Segundo o Historiador António Matos Reis, o nascimento de Ponte de Lima está intimamente ligado ao nascimento de Portugal, inserindo-se nos planos de autonomia do Condado Portucalense prosseguidos por D. Teresa, através da criação de novos municípios. Herdeira e continuadora de um rico passado histórico, Ponte de Lima orgulha-se de possuir um valioso património histórico-cultural, que este portal se propõe promover e divulgar.

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